o vento que sutilmente passa
provoca cócegas nas flores do jardim
... há uma canção silenciosa quando dormes
... meu ouvido toca teu peito...
... lentamente minha cabeça sobe e desce...
a canção silenciosa...
é como o vento que espalha as flores da primavera
é como o barquinho de papel que desce o rio
é feito sinal da cruz que faço ao acordar...
... e ao acordar, você me chama de papai...
e meus braços dançam a te proteger...
e te abraço...
e nossos corações se encontram...
Ainda que pouco me torne
Ainda que raso eu sonhe
Ainda que vago eu caminhe
Ainda que errado eu insista
Ainda que cego eu levante
Ainda que triste eu sorria
Ainda que mal eu escreva
Ainda que bem eu me sinta
Ainda que todos eu perca
Ainda que tolo eu pareça
Ainda que ela me esqueça
Ainda que inútil eu tente
Ainda que mesmo doente
Ainda que verdades eu invente
Ainda que o passado eu negue
Restará a beleza dos atos
Ainda que flores de plástico eu regue!
... quando a vida nos deixa a sua sobra, todo canto é lar e qualquer canto é de tristezas e não sabemos ao certo se queremos que o tempo páre para sempre ou que passe mil anos em um segundo... é solidão, vontade estranha de apagar o passado e ser outra pessoa a quem sejamos eternamente desejados... a solidão não é quando não temos ninguém, mas sim, quando não pertencemos a ninguém!
Entre tiros e soluços
John Lennon, compositor de várias canções sobre paz e amor, foi covardemente assassinado com um tiro nas costas. Ernesto Che Guevara, médico e um dos principais líderes da revolução cubana, sofreu uma emboscada e foi executado friamente. Um hindu matou com um tiro no peito Mahatma Gandhi, um dos maiores líderes pacifistas da nossa história. Martin Luther King, pastor evangélico e líder do movimento negro, foi assassinado num quarto de hotel. O carmelita Frei Caneca, um dos maiores heróis que o Brasil já teve, foi preso e condenado à forca, como nenhum escravo ou condenado teve coragem de executa-lo, decidiram então fuzila-lo. Chico Mendes, sindicalista e ativista ambiental, foi assassinado no Acre a mando de poderosos políticos da região. Arquimedes teve o peito perfurado pela lança de um soldado romano. Tiradentes foi enforcado em praça pública. Joana D'Arc, hoje canonizada, foi queimada viva e Jesus Cristo depois de chicoteado, apedrejado e crucificado vivo, foi deixado ao relento até morrer asfixiado.
E há quem diga que o bem sempre vence no final.
... moça... se dedilho a tua pele não é por maldade minha,
é que preciso por demais da tua risada na minha vida...
ah... tua risada...
... jamais em outra canção ouvi tão bela harmonia...
... creio em Deus!
... melhor jeito que achei de me conhecer foi fazendo o desnecessário...
procura a lembrança mais querida...
... a que o tempo, silenciosamente,
pintou nas palmas das tuas mãos
talvez ria, talvez dê um longo suspiro...
talvez não faça mesmo nada...
ou se não nada, talvez apenas sorria...
e ao encontrar, esqueça a novamente
deixa-a perdida...
mas, mais?
minha rima, sozinha, me vicia...
e o pouco de mim que não morre luta para não sentir saudades...
e vai inventando céus e vai inventando passarinhos...
Vem-que'Flor, Alinhaço e Minha-Ninha...
Bem-Me-Quer, Girallua e Bailarina...
mas, mais?
na escuridão é que se vê vaga-lumes...
... lá vem um que quase terminei de inventar... Versinhá...
Versinhá...
e se acaso fosse descoberto,
por ali,
dias de sonhos e de paz...
... é de se estranhar que certos amores surgem como que para preencher o vazio de uma vida de incertezas...
e lá fora a noite triste canta uma canção sem cor,
deixando seco o gosto do encontro na boca pálida da saudade
.
... os bons dias estão a caminho...
mas enquanto eles não chegam,
roubei um pouco da cor do seu sorriso para pintar meus sonhos,
que faz falta na flauta doce que encanta o mundo...
ao receber, ela sorriu em silêncio,
nada mais aconteceu, mas toquei sua beleza pela fresta do mundo...