... moça... se dedilho a tua pele não é por maldade minha,
é que preciso por demais da tua risada na minha vida...
ah... tua risada...
... jamais em outra canção ouvi tão bela harmonia...

(... à moça dos olhos verdes de primavera distante...)

para quem muito sonha
as nuvens são folhas
de papel em branco

Escrever é transformar o tédio em melodia.
É ouvir a alma cantar muda no cerne da carne que a aprisiona oculta.
É andar sozinho por entre multidões,
encarar olhares desconhecidos,
ignorá-los e seguir em frente.
Seguir em frente!
Se este é o sentido da vida,
igualmente encerra no ato da escrita o seu segredo milenar...
pois, neste mundo de incertezas,
desconheço quem escreva para trás!

... creio em Deus!
... sem Deus as coisas perderiam o peso de ser, como a inquietância do mar sem a sua calmaria... sem Deus aqui não existiria o olhar para trás e não teríamos o sentir das lembranças, mesmo que delas as tenhamos vestidas de dor e transformadas em saudade. sem Deus o futuro não passaria de um amanhã desacordado e não existira a espera de meses por uma nova vida... um pedido de desculpas à Ele pelas nossas imperfeições... sem Deus as coisas perderiam o peso de ser, como a inquietância do vento sem o perfume das flores... Deus existe sem mesmo não há... no escuro também se reza, no fechar dos olhos aflitos... Deus é a própria Esperança, a teimosia de correr, cair, se levantar e entre um fôlego e outro, sonhar... é por tê-la que a primavera sempre volta, e somente por não tê-la é que existem os suicidas.
... Creio em Deus!
... não porque eu necessite crer em algo, mas sim porque não faz sentido algum não acreditar...

... na calada da lua,
o bando de vaga-lumes revolucionários
tentam incendiar a noite...

a menininha ria tanto
que parecia ter
borboletas na barriga

atravessou a lua
de ponta a ponta
o vaga-lume cego

... melhor jeito que achei de me conhecer foi fazendo o desnecessário...

(à maneira de manoel de barros)

o que mede o tempo é a poesia...

e se por acaso fosse acontecer?

procura a lembrança mais querida...
... a que o tempo, silenciosamente,
pintou nas palmas das tuas mãos
talvez ria, talvez dê um longo suspiro...
talvez não faça mesmo nada...
ou se não nada, talvez apenas sorria...
e ao encontrar, esqueça a novamente
deixa-a perdida...

mas, mais?
minha rima, sozinha, me vicia...
e o pouco de mim que não morre luta para não sentir saudades...
e vai inventando céus e vai inventando passarinhos...
Vem-que'Flor, Alinhaço e Minha-Ninha...
Bem-Me-Quer, Girallua e Bailarina...

mas, mais?
na escuridão é que se vê vaga-lumes...
... lá vem um que quase terminei de inventar... Versinhá...

Versinhá...