... em versos que nunca escrevi, de tais lugares bonitos que nunca pisei, de braços nos braços dos abraços que só imaginei, em tudo que seria e se seria... eu não sei... nenhum sinal de cais... a cruzada... a cruzada...

... já a fiz em todos os versos, toda a minha vida em ti, e seria a tua em mim... seria um verso branco, verso avulso inrimável...

... alheio a tudo, nas palavras eu invento mundos...

... lá fora o vento triste canta uma canção sem cor enquanto o sol seca o sal dos meus passos, deixando doce o gosto do encontro na boca pálida...

... os bons dias estão a caminho...

... enquanto ainda não chegam... roubei um pouco da cor do seu sorriso para pintar o vento, que faz falta na flauta doce que encanta o mundo...

... o Tolo espera o sorriso dela como o outono espera a primavera...

"... para onde aponta a ponta do nariz está a linha do horizonte que divide almas. céu e mar não têm começo, misturam-se ao longe quando tudo está calmo. sem o ocaso, perde-se o fio da esperança de se ir além, perde-se a vontade de entender o acaso, algo concreto nesta sinestesia que rege a vida. a razão tenta, busca entender o que só coração pode ver... a natureza. em mimese segue o amor, que se traduz muitas vezes no doce de uma boca que fala muda ou no sorriso silencioso que nos desperta para vida. segue o amor que se reduz, enfim, na imensidão do mar e do céu sem fim... "

... "a vida vai em sonhos e volta em forma de realidade... é como olhar para o mar, perceber o horizonte e esperar que as ondas nos tragam qualquer coisa que cheira a esperança com gosto de rimas... a vida é feita assim, nos traz encontros inesperados e nos leva despedidas eternas..."