...pomar em teus cabelos...

o que a pele consegue separar,
a poesia junta!

quando eu era criança
gostava de fabricar horizontes
com as linhas de crochê da minha mãe...
e se acaso fosse descoberto,
corria para o quintal de casa
para vigiar alguma borboleta que,
por ali,
suspeitamente voava...
eram tempos em que a poesia não tinha vez
tempos que não se contavam os dias
dias de sonhos e de paz...

... é de se estranhar que certos amores surgem como que para preencher o vazio de uma vida de incertezas...


... amanhã já vem quase perto de mim
e lá fora a noite triste canta uma canção sem cor,
deixando seco o gosto do encontro na boca pálida da saudade
.
... os bons dias estão a caminho...
.
mas enquanto eles não chegam,
roubei um pouco da cor do seu sorriso para pintar meus sonhos,
que faz falta na flauta doce que encanta o mundo...

... certo dia, dia comum de primavera, dei à ela uma flor...
ao receber, ela sorriu em silêncio,
muda como o perfume que segurava nas mãos...
nada mais aconteceu, mas toquei sua beleza pela fresta do mundo...

... eu quero a paz, atemporal,
de uma folha esquecida sobre o lago...