... teu sorriso alonga horizontes...

... sou sempre o que ainda está por vir.
pelo pouco do pouco que me sobraram.
há quem diga que sou crônica.
há quem diga que sou conto...
desconfio ser um faz-de-contas inacabado.
sou castelo de cartas de baralho,
erguido por uma criança entediada
sou castelo de cartas de baralho
sempre esperando o vento atrasado.
sou o que sou: canção descompassada?
fiz do pôr do Sol um retrato na parede
com gosto de café amanhecido.
sou sempre o que vai, vai, vai...
sentido único.
quieto.
sozinho.
Rio.
há quem diga que sou poema.
há quem diga que sou prosa.
mas sou mesmo uma piada.
sou não-abraço.
palavra que nunca será pronunciada.
sou muito, muito, muito, muito , muito pouco,
do pouco que me sobraram...

... ela é minha reticência...

ela usava de muito maquiagem para pintar o sorriso. todo dia, ao acordar, o ritual era sempre o mesmo. diante do espelho, do mesmo espelho, por tanto tempo. para se vestir, experimentava quase todas as roupas que tinha. tão importante. com os sapatos altos se sentir maior do que qualquer um. com a bolsa pequena só levava o necessário, dinheiro e celular. e ia para a rua. toda empolgada. encontrava semelhantes. ria alto. conversa sem parar. vivia feliz da vida, por incrível que pareça. todos os dias eram assim. todos. só doía quando tinha que tomar banho.