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... sou sempre o que ainda está por vir.
pelo pouco do pouco que me sobraram.
há quem diga que sou crônica.
há quem diga que sou conto...
desconfio ser um faz-de-contas inacabado.
sou castelo de cartas de baralho,
erguido por uma criança entediada
sou castelo de cartas de baralho
sempre esperando o vento atrasado.
sou o que sou: canção descompassada?
fiz do pôr do Sol um retrato na parede
com gosto de café amanhecido.
sou sempre o que vai, vai, vai...
sentido único.
quieto.
sozinho.
Rio.
há quem diga que sou poema.
há quem diga que sou prosa.
mas sou mesmo uma piada.
sou não-abraço.
palavra que nunca será pronunciada.
sou muito, muito, muito, muito , muito pouco,
do pouco que me sobraram...

Escrever é transformar o tédio em melodia.
É ouvir a alma cantar muda no cerne da carne que a aprisiona oculta.
É andar sozinho por entre multidões,
encarar olhares desconhecidos,
ignorá-los e seguir em frente.
Seguir em frente!
Se este é o sentido da vida,
igualmente encerra no ato da escrita o seu segredo milenar...
pois, neste mundo de incertezas,
desconheço quem escreva para trás!

... é de se estranhar que certos amores surgem como que para preencher o vazio de uma vida de incertezas...


... certo dia, dia comum de primavera, dei à ela uma flor...
ao receber, ela sorriu em silêncio,
muda como o perfume que segurava nas mãos...
nada mais aconteceu, mas toquei sua beleza pela fresta do mundo...