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Ainda que pouco me torne
Ainda que raso eu sonhe
Ainda que vago eu caminhe
Ainda que errado eu insista
Ainda que cego eu levante
Ainda que triste eu sorria
Ainda que mal eu escreva
Ainda que bem eu me sinta
Ainda que todos eu perca
Ainda que tolo eu pareça
Ainda que ela me esqueça
Ainda que inútil eu tente
Ainda que mesmo doente
Ainda que verdades eu invente
Ainda que o passado eu negue
Restará a beleza dos atos
Ainda que flores de plástico eu regue!

... moça... se dedilho a tua pele não é por maldade minha,
é que preciso por demais da tua risada na minha vida...
ah... tua risada...
... jamais em outra canção ouvi tão bela harmonia...

(... à moça dos olhos verdes de primavera distante...)

... creio em Deus!
... sem Deus as coisas perderiam o peso de ser, como a inquietância do mar sem a sua calmaria... sem Deus aqui não existiria o olhar para trás e não teríamos o sentir das lembranças, mesmo que delas as tenhamos vestidas de dor e transformadas em saudade. sem Deus o futuro não passaria de um amanhã desacordado e não existira a espera de meses por uma nova vida... um pedido de desculpas à Ele pelas nossas imperfeições... sem Deus as coisas perderiam o peso de ser, como a inquietância do vento sem o perfume das flores... Deus existe sem mesmo não há... no escuro também se reza, no fechar dos olhos aflitos... Deus é a própria Esperança, a teimosia de correr, cair, se levantar e entre um fôlego e outro, sonhar... é por tê-la que a primavera sempre volta, e somente por não tê-la é que existem os suicidas.
... Creio em Deus!
... não porque eu necessite crer em algo, mas sim porque não faz sentido algum não acreditar...

mas, mais?
minha rima, sozinha, me vicia...
e o pouco de mim que não morre luta para não sentir saudades...
e vai inventando céus e vai inventando passarinhos...
Vem-que'Flor, Alinhaço e Minha-Ninha...
Bem-Me-Quer, Girallua e Bailarina...

mas, mais?
na escuridão é que se vê vaga-lumes...
... lá vem um que quase terminei de inventar... Versinhá...

Versinhá...